Doenças Intersticiais Pulmonares: Entenda como a Imagem pode Ajudar
Por que os métodos de imagem são solicitados na suspeita de doenças intersticiais?
Os exames de imagem, especialmente a tomografia computadorizada do tórax, têm um papel muito importante na avaliação das doenças intersticiais pulmonares. Eles ajudam o médico em diferentes etapas do cuidado, desde o diagnóstico até o acompanhamento ao longo do tempo.
De forma geral, a tomografia pode contribuir das seguintes maneiras:
a) no diagnóstico: detecta padrões que sugerem problemas no compartimento intersticial, mesmo em fases precoces da doença, quando ainda não há sintomas ou alterações nos exames de função pulmonar, permitindo que a doença seja reconhecida mais cedo e acompanhada de forma adequada;
b) na sugestão de possibilidades diagnósticas: baseado em padrões específicos, o radiologista pode inferir qual o provável padrão de reação do pulmão, e em casos específicos, fornecer pistas sobre qual o motivo destas alterações (por exemplo doenças do colágeno, doenças determinadas por exposição ambiental, relacionadas a medicamentos e outras). Essas informações ajudam o médico assistente a direcionar a investigação e o tratamento, sempre em conjunto com os dados clínicos e laboratoriais.
c) na avaliação do comportamento evolutivo destas alterações: a avaliação com estudos anteriores é bastante importante, e se houverem exames prévios acessíveis, o radiologista compara os estudos realizados em diferentes datas e verifica se as alterações estão melhores, estáveis ou em progressão. Esse acompanhamento é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e orientar decisões futuras.
d) na pesquisa de possíveis complicações: por exemplo pneumonias, surgimento de nódulos e outras e outras alterações que possam ocorrer no curso da doença. Aqui também a comparação com exames anteriores é bastante importante para detecção de outras condições sobrepostas.
Veja na imagem ao lado a representação de:
a) Reticulado: são linhas sobrepostas que lembram um bordado/rendilhado;
b) Bronquiectasias de Tração: quando há fibrose no pulmão, os brônquios são tracionados e aumentam de tamanho;
c) Faveolamento: em algumas situações, as alterações fibróticas progridem a ponto de determinar uma dilatação cística das vias aéreas na periferia do pulmão, que quando agrupadas assumem um aspecto que lembra um "favo de mel".
Rastreamento de Neoplasias Pulmonares e a Tomografia do Tórax de Baixa Dose
Entenda o que é a Tomografia do Tórax de Baixa Dose
A tomografia de baixa dose é um tipo de tomografia computadorizada do tórax realizada nos mesmos aparelhos da tomografia convencional, porém com ajustes técnicos que permitem utilizar uma quantidade menor de radiação, mantendo qualidade suficiente para detectar e acompanhar nódulos pulmonares e outras alterações associadas a neoplasias.
Esse exame é a base dos programas de rastreamento do câncer de pulmão, nos quais a tomografia costuma ser realizada de forma periódica, geralmente uma vez ao ano. Por esse motivo, os protocolos são cuidadosamente ajustados para empregar a menor dose de radiação possível, suficiente para o diagnóstico e o acompanhamento, preservando a segurança do paciente quando o exame é repetido ao longo do tempo.
Veja ao lado uma tomografia de tórax no qual um nódulo pulmonar foi detectado.
Quais pessoas são candidatas a rastreamento de neoplasias pulmonares?
Em 2024, sociedades médicas brasileiras de referência (Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem) publicaram um documento com recomendações para identificar quem pode se beneficiar do rastreamento do câncer de pulmão, com base na experiência científica internacional.
De forma geral, o rastreamento é indicado para fumantes ou ex-fumantes com 50 anos ou mais, que tenham histórico significativo de tabagismo (mais de 20 anos-maço).
Por outro lado, o exame não é recomendado para pessoas com mais de 80 anos, para quem parou de fumar há mais de 15 anos, para indivíduos que já apresentam sintomas sugestivos ou histórico prévio de câncer de pulmão, ou ainda para pacientes cujo estado de saúde geral ou outras doenças impeçam a realização de um tratamento curativo, caso uma alteração seja identificada.